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O atacante Kylian Mbappé, atualmente no Real Madrid, decidiu retirar a queixa por assédio moral e tentativa de extorsão que havia movido contra o Paris Saint-Germain, seu ex-clube. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (7) pelo jornal francês L’Équipe, dois dias antes do aguardado confronto entre Real Madrid e PSG pela semifinal do Mundial de Clubes 2025.
A decisão de Mbappé de encerrar o processo criminal ocorre em um momento estratégico: o jogador quer manter o foco total no futebol e evitar que questões judiciais interfiram em sua performance no torneio.
No entanto, o francês mantém uma ação trabalhista contra o PSG, na qual cobra cerca de 55 milhões de euros (aproximadamente R$ 350 milhões) referentes a salários e bônus não pagos durante os últimos meses de sua passagem pelo clube parisiense.
A origem da disputa: afastamento e pressão por renovação
O imbróglio entre Mbappé e o PSG teve início no verão europeu de 2023, quando o atacante comunicou à diretoria que não renovaria seu contrato, que se encerrava ao fim da temporada 2023/24. Como resposta, o clube o afastou do elenco principal e o colocou no chamado “loft” — uma área destinada a jogadores fora dos planos da comissão técnica.
Segundo a denúncia apresentada por Mbappé em maio de 2025, essa medida teria sido uma forma de pressão psicológica e assédio moral, com o objetivo de forçá-lo a assinar uma extensão contratual. O jogador também alegou que houve tentativa de extorsão, já que o PSG teria condicionado sua reintegração ao elenco à assinatura de um novo vínculo3.
Retirada da queixa e reaproximação com o PSG
A retirada da queixa criminal foi interpretada como um gesto de distensão por parte de Mbappé. Fontes próximas ao jogador afirmam que ele deseja “virar a página” e concentrar-se exclusivamente em sua carreira no Real Madrid, onde já conquistou títulos e se consolidou como um dos líderes do elenco.
Nos bastidores, também houve uma reaproximação entre Mbappé e o presidente do PSG, Nasser Al-Khelaïfi. Em entrevista recente, o dirigente reconheceu que houve um “pequeno conflito” com o jogador, mas afirmou que deseja o melhor para ele no novo clube — exceto, claro, quando estiver enfrentando o PSG em campo.
Ação trabalhista segue em curso
Apesar da retirada da queixa criminal, a disputa judicial entre Mbappé e o PSG ainda não chegou ao fim. O atacante mantém uma ação na justiça trabalhista francesa, na qual exige o pagamento de:
- Três meses de salários atrasados, totalizando 18,7 milhões de euros brutos
- Última parcela do bônus de assinatura, no valor de 36,6 milhões de euros
O PSG, por sua vez, alega que Mbappé havia se comprometido verbalmente a abrir mão desses valores como parte de um acordo informal para facilitar sua saída gratuita ao fim do contrato. O clube considera que o jogador “faltou com a palavra” e, por isso, não efetuou os pagamentos4.
Reencontro explosivo no Mundial de Clubes
O timing da retirada da queixa não poderia ser mais simbólico. Na próxima quarta-feira (9), Mbappé reencontrará o PSG pela primeira vez desde sua saída, em um duelo decisivo pela semifinal do Mundial de Clubes. A partida promete ser carregada de emoção, não apenas pelo peso esportivo, mas também pelo histórico recente entre as partes.
Mbappé defendeu o PSG entre 2017 e 2024, período em que se tornou o maior artilheiro da história do clube, com 256 gols. Sua saída para o Real Madrid, sem custos de transferência, foi um dos episódios mais controversos do futebol europeu nos últimos anos.
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